segunda-feira, 24 de dezembro de 2007

Um bom amigo

. segunda-feira, 24 de dezembro de 2007

Quando o ônibus parou defronte da escola, Paulo se dirigiu ao local em que se encontravam os meninos. Ele tinha dez anos de idade mas era grande, bem desenvolvido. Podia avantajar-se aos demais, conseguindo o melhor assento, perto da janela. Sua teoria era: “Quem primeiro chega, melhor é servido”.

Certa vez tomou seu lugar, como de costume, junto da janela, e ocupou a maior parte do banco, de tal maneira que o companheiro ficou mesmo na ponta.

Paulo lançou um golpe de vista ao colega de viagem e percebeu que era mais ou menos de sua idade. Era desconhecido, porém. Sua vestimenta era semelhante, mas Paulo estava com as mãos sujas, ao passo que o vizinho tinha as mãos bem limpas. Paulo sentiu atração por ele e, quase sem se sentir, afastou-se para lhe dar mais lugar no banco. O rapazinho sorriu e disse: “Muito obrigado”.

Isto fez com que Paulo se sentisse bem. Viu que um pouco de cortesia não fazia mal algum, de quando em quando. Desejou fazer amizade com ele.

Paulo não era um menino mau. Era apenas egoísta. Não tinha irmãos e ficava como que solitário. E quando se relacionava com alguns companheiros, a amizade durava pouco tempo. Não sabia conservar os amigos. Logo cortavam as relações de amizade com ele.

A mãe notara isto. “Temo que você goste muito de mandar, Paulo”, disse ela, “por isso que seus amigos fogem de você. Não procure estar só mandando. Dê oportunidade aos outros, também. Não seja egoísta”.

O filho não respondeu. Não gostava de ser criticado. A mãe dele era viúva e trabalhava num escritório, para poder mantê-lo. Estava sempre cansada, e não dispunha de mais tempo para cuidar do menino.

Quando o ônibus parou, o menino desceu juntamente com Paulo e saíram ambos na mesma direção. “Moro nesta rua”, disse ele.

Paulo sorriu. “Nunca tinha visto você. Como se chama? Meu nome é Paulo”.

“O meu é David”, respondeu o outro. “Nós nos mudamos para aquela casa faz poucos dias”. E apontou para o edifício que ficava algumas casas da de Paulo.

“Então somos vizinhos!” Exclamou Paulo, com um sorriso de felicidade. Ele desejava que David o houvesse simpatizado, para se tornarem bons amigos. Pensou que a mãe tivesse razão, na advertência que lhe fizera, e decidiu não mandar tanto em David, se fizessem amigos.

Quando chegaram defronte da casa de Paulo, David disse: “Até logo. Amanhã nos encontraremos de novo”, e prosseguiu caminhando.

“Alô”! Bradou Paulo. “Por que não entra para brincarmos no quintal? Não tenho o que fazer até que minha mãe venha do trabalho, e terei prazer em sua companhia”.

“Sinto muito, Paulo”, respondeu David. “Tenho que ajudar minha mãe. Atendo a mandados e cuido de meus irmãozinhos”.

“Bem”, disse Paulo, em voz baixa, mas realmente não compreendia a situação. Ele nunca ajudara à mãe, a não ser indo ao armazém, de bicicleta, para fazer compras, algumas vezes.

“Você não quer ir comigo”, disse David, “para que minha mãe o conheça? Ela gosta de conhecer meus amiguinhos”.

Paulo concordou. “Vá caminhando, David, que irei guardar meus livros”. Estava muito feliz com o novo amigo, mas não queria dizer-lhe que ia lavar as mãos, antes de chegar lá.

Alguns minutos depois, Paulo se encontrava defronte da casa de David. O rosto e as mãos estavam limpos e o cabelo bem penteado, mas ele se sentia acanhado. Se David não houvesse aparecido imediatamente para encontra-lo, ele teria voltado para casa. Foi um prazer, porém, encontrar a mãe de David. Ela o cumprimentou alegremente, com muito carinho. Era uma senhora ainda jovem. Paulo sentiu-se muito bem.

Não pôde, porém, demorar-se muito lá, porquanto tinha que vigiar a casa. Costumava andar de bicicleta, ao redor da residência, ou ler alguma coisa, até a hora da chegada da mãe. Desta vez, porém, ao chegar em casa, lembrou-se de como David ajudava à mãe. Quis imitar o bom exemplo.

Foi à cozinha e lavou todos os pratos, porque a mãe não tivera tempo de lavá-los antes de sair.

Quando ela chegou e viu os pratos lavados, tudo arrumado, chorou de alegria, abraçou o filho e beijou-o.

Paulo contou-lhe do novo amigo e disse que iria deixá-lo mandar também.

Na manhã seguinte, quando estavam esperando o ônibus, havia duas meninas para tomarem o veículo. Paulo observou que David, em lugar de subir primeiro no ônibus, afastou-se e gentilmente deixou que as meninas subissem antes. Paulo seguiu-lhe o exemplo.

Afinal, Paulo chegou à conclusão de que é agradável ser gentil, cortês e bondoso. Foi uma felicidade encontrar um bom amigo.

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