segunda-feira, 24 de dezembro de 2007

Davi e as panelas novas

. segunda-feira, 24 de dezembro de 2007

Pela quarta vez naquela manhã, Davi correu para casa e perguntou: “Que horas são, mamãe?”.

“Agora são nove e vinte e cinco. Você precisa esperar mais trinta e cinco minutos”, respondeu a mãe dando uma olhada para Davi.

“Está bem!”, ele concordou, “mas eu queria que o vendedor se apressasse. Quero ver as panelas novas que ele está trazendo. Você tem certeza que elas podem cozinhar batatas e cenouras sem água e assim mesmo não queimar?”.

“Sim, Davi!”, riu a mamãe. “Você vai poder ver com os seus próprios olhos hoje mesmo. Logo que o vendedor chegar irá fazer o almoço, para que nós possamos aprender como usar as novas panelas e assim não deixar queimar a comida”.

“É difícil de acreditar que essas panelas possam ser tão boas”. O tom de voz de Davi demonstrava que ele não podia acreditar no que sua mãe estava dizendo. “Vou ficar bem perto para poder ver com meus próprios olhos”.E saiu rapidamente mais uma vez, saiu para esperar pelo vendedor de panelas que cozinhavam sem água.

O tempo parecia se arrastar. Será que aquele homem nunca chegaria? Davi se sentou nos degraus da escada e dava um pulo a cada vez que um carro entrava na rua onde ele morava.

Finalmente chegou o vendedor. “Ele chegou! Ele Chegou!” Rápido Davi abriu a porta da frente e chamou sua mãe.

A mamãe convidou o vendedor para entrar, e Davi ajudou a carregar algumas das caixas onde estavam as panelas.

O vendedor desempacotou as brilhantes panelas. “Muito bem, vamos examinar bem cada panela para ver se estão perfeitas”, ele disse. “Depois teremos de lavar cada uma antes de começar a fazer o almoço”.

“Por que lavar? Perguntou Davi muito surpreso”, elas nunca foram usadas".

“Não”, disse o vendedor, “elas nunca foram usadas, mas também não foram lavadas depois do último polimento dado na fábrica. Nós não vamos querer cozinhar alguma coisa nelas sem ter a certeza de que estejam muito bem lavadas. Isto não será bom para você e nem para as panelas”.

“Ah, sim”, respondeu Davi. E ficou observando como o vendedor colocava detergente em uma esponja e esfregava, com todo o cuidado, as panelas e as tampas. Depois enxaguou bastante e enxugou cada panela.

“Como estão lindas e brilhantes!”, exclamou a mamãe, “espero que continuem sempre assim”.

“Elas ficarão”, prometeu o vendedor, “quer dizer, se a senhora não usar palha de aço, e nem outra coisa afiada e áspera para limpar. Lembre-se sempre disto, pois é muito importante”.

Logo as panelas estavam lavadas e o vendedor pronto para demonstrar como usar. Pedaços tenros e brilhantes de cenoura foram colocados dentro de uma panela, ervilhas em outra e as batatas dentro de outra panela ainda. Colocaram as tampas, mas não colocaram água. As panelas foram colocadas sobre o fogo e acenderam o gás, mas colocaram fogo bem baixo.

A mamãe e Davi se sentaram para conversar com seu novo amigo, o vendedor, enquanto os vegetais estavam cozinhando. Uma pequena válvula, do tamanho da metade de um dedal, começou a subir e descer, fazendo um barulho divertido. O vendedor colocou o fogo ainda mais baixo, até que a válvula ficou em silêncio novamente.

“Esta válvula é o seu guarda da cozinha”, ele disse, “ela está avisando que o fogo está muito alto e o alimento poderá queimar se a senhora não abaixar o fogo”.

A mamãe arrumou a mesa, e logo os vegetais foram servidos. Como estavam gostosos, cozidos sem água nas panelas novas! E também não estavam queimados.

Depois do almoço, Davi perguntou: “Posso lavar a louça? Eu gostaria de lavar as panelas novas”.

“Claro que sim, Davi. Mas, por favor, tome cuidado com elas”, disse a mamãe.

“Está bem”, prometeu Davi, preparando-se para o trabalho. Cuidadosamente limpou cada panela. Ele estava imitando o vendedor na casa de um freguês. Pegou o detergente e espalhou sobre cada tampa das panelas. Então, por um momento, esqueceu o aviso do vendedor de somente usar alguma coisa macia, como uma toalha de papel ou uma esponja, com detergente. Davi pegou a esponja de aço da mamãe e esfregou e raspou uma mancha imaginária.

Então, como uma flecha, lembrou-se das palavras do vendedor. “Nunca use palha de aço”.

Davi parecia ter ficado paralisado. “Oh, não!”, disse para si mesmo, enquanto abria a torneira para tirar o sabão. Ali, claro como o dia, estava uma mancha, um arranhão profundo sem possibilidade nenhuma de conserto!

“Que vou fazer? Que vou dizer? Por que não pensei antes?” Se perguntava Davi silenciosamente, enquanto secava a tampa. E por mais forte que tentasse, não conseguia fazer desaparecer a mancha. O coração de Davi estava pesado.

Ele terminou de lavar a louça e guardou tudo em seus lugares. Mas deixou as panelas e as tampas novas em cima da mesa, porque não sabia onde a mamãe iria guardar.

Quando a mamãe veio para guardar as panelas, imediatamente notou a tampa arranhada. “Oh, veja o que o vendedor fez quando lavou as panelas”. A voz da mamãe estava cheia de tristeza, quando pegou a tampa arranhada e olhava cuidadosamente.

“Não, mamãe”, falou Davi, “ele não fez isto, fui eu quem fiz”.

A mamãe olhou muito surpresa para seu filho. Depois de um breve momento ela sorriu. “Oh, como estou feliz porque você me contou. Está tudo bem”. E não disse mais nada.

Davi agora está bem crescido. Mas o coração de sua mãe fica emocionado, cada vez que lava a tampa arranhada. É a tampa que ela guardará com todo o carinho e cuidado pelo resto de sua vida, porque aquele arranhado é uma lembrança de que seu filho não teve medo de dizer a verdade, mesmo quando teria sido muito mais fácil para ele ficar em silêncio. E porque ele não teve medo de dizer a verdade, também conservou bem puro e limpo seu registro lá no Céu.

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